Metade de mim agora é assim:
De um lado a poesia o verbo a saudade.
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim.
Semear o amor!
pinta os lábios para escrever a tua boca em minha

As vezes eu me acho tão complicada ao ponto de pensar que ninguém nunca arriscaria sua paz pra realmente viver do meu lado ou dedicar algumas horas do seu dia para me ver feliz de verdade. As pessoas já me acham complicada demais sem me conhecerem direito, imaginem se conhecessem, iriam sair correndo sem dizer tchau. 

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

Fabrício Carpinejar.  (via capitule)

(Source: icanbeyourcocaine)

Então hoje, quem diria, eu desisti. Acreditem! Desisti de achar que o mundo é todo flores, que é possível ser feliz de qualquer jeito, a qualquer hora. Existem, sim, dias em que nada dá certo e não há nada capaz de nos fazer sorrir por muito tempo. Existem dias em que nada é mais libertador do que um choro acompanhado de soluços. Desisti de deixar a tristeza de lado sempre, porque às vezes tudo o que nossos olhos pedem é um pouquinho de lágrima. Todo mundo precisa de um banho demorado para tentar lavar a alma, um dia inteiro sem contato visual com qualquer pessoa, uma noite de insônia. Todo mundo precisa sofrer um pouco, de vez em quando. Sofrer é libertador! É triste, é desesperador, muitas vezes, mas é necessário. É a nossa provação, o fogo que forja nossas espadas. Não mata, ainda que pareça corroer; não sufoca, mesmo que ocasione certa falta de ar. Mas também precisamos desistir às vezes. Não de tudo, não dos sonhos e dos anseios, e sim de batalhar tão corajosamente, quando os outros já se encontram acampados e descansados. Permitir-se jogar no campo e fingir-se de morto. Saber aceitar que algumas lutas já se perderam no tempo. Desistir por um ou dois minutos, só para sentir a leveza no corpo, o agridoce na ponta da língua. Ser realista por dez segundos, até ser atingido por outro sonho, ainda maior, e voltar a pensar positivo. Esvair-se em lágrimas e deixar que os pés fraquejem por um momento.Todo mundo precisa desistir! Desistir para recuperar as forças, quando tudo cansa, tudo pesa. Abandonar a si mesmo para que permita-se um dia inteiro se arrastando pela casa, sem culpa ou pressão das obrigações. E foi exatamente o que eu fiz: cedi. Não atendi telefonemas, não me deixei acordada por muito tempo, não me ergui e nem me obriguei a seguir a mesma rotina novamente. Larguei o medo de ser triste, porque minha felicidade exaltada nada mais é que o medo de sofrer, e fui me abater livremente! Como se não houvesse amanhã, fui toda desalento por hoje e mais mil anos. Hoje, guardem bem essa data, eu desisti. Porque amanhã, vejam bem, amanhã já é outro dia. É dia de segurar outra a vez a espada forjada com o fogo de hoje e partir para a próxima. Quem é que sabe quantas lutas o amanhecer me reserva?

rio-doce (via rio-doce)

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

Charles Bukowski    (via monografista)

As pessoas não sabem conviver comigo. Ou será que sou eu quem não sei lidar com elas? Talvez seja isso: eu me excluo do mundo antes mesmo de, na verdade, entrar dentro dele. Vejo todas as almas apressadas que andam pelas ruas da cidade com olhos inchados e cansados. Um desprezo incomum me sopra os ouvidos e tudo, absolutamente tudo, vira preto e branco. O mundo não me agrada. As pessoas, muito menos. Sair de casa é como pisar em merdas que não acabam nunca, entende? Encarar todas essas caras rabugentas e mal-humoradas faz mal pro fígado. Ou será pro coração? Que seja, faz mal. Não aguento mais abrir os olhos e me dar conta de que um novo dia começa, com novos hipócritas nascendo e, infelizmente, pouco deles morrendo. A verdade verdadeira é que nada nunca é bom o suficiente pra mim. Não importa o que você faça, o quanto persista ou o quanto se esforce: eu, simplesmente, encontrei uma gota de suor não utilizada e direi que não foi dessa vez. Agradeço pela intenção, mas fazer corpo mole não me serve. O próximo, por favor. Eu quero alguém que me surpreenda e que vá além de todos os outros que arriscaram tentar. Eu busco uma pessoa que não se importe com o tamanho da bagagem que carrego nas mãos, nem com as outras cinco que trago no peito. Não, não quero dizer que ocupo uma patamar inalcançável, longe disso. Aliás, pelo contrário: penso que estou em um nível muito baixo no qual poucos conseguem enxergar. Estar no topo é fácil, é moleza, é lucro. Lá em cima todo mundo te enxerga, te venera, te almeja. Difícil mesmo é estar no fundo, no poço, no raso. Ninguém sequer sabe que você existe, veio ao mundo ou faz parte de algo. É triste se sentir vazia, excluída e invisível pra maioria das pessoas. E mais triste ainda é saber que eu faço parte dessa minoria. Nasci pra isso, quem sabe. Digo, nasci por nascer, sem ter histórias pra contar. Não há doses ou terapias infidas que me façam aprender e, principalmente, a gostar de conviver com os demais. Pessoas são chatas, entediantes e fingidas; animais são verdadeiros, carinhosos e fiéis. Pessoas mentem, falam e ignoram; livros acalmam, silenciam e escutam. É por essas e outras que eu prefiro estar cercada de bichos e de estantes carregadas de livros à estar no meio de bilhões de pessoas que não tem nada pra acrescentar, somar, compartilhar. Por mais que o meu lado revoltante se aflore toda vez que olho pra outra poltrona vazia da minha sala, o meu lado sensato e racional diz que é melhor assim. Sem emoções, sem sentimentos, sem dores. Dizem por aí que essa coisa de se apegar muito a alguém é perda de tempo e de lágrimas. Não quero sofrer. Não quero fazer parte de toda essa imundice que compõe o lado de fora do meu quarto. Eu só queria, no fundo, mas bem no fundo mesmo, alguém que olhasse com atenção lá pra baixo - no poço - e me enxergasse, nem que por cinco minutos. Ser sozinha é como economizar frustrações, mas sair do super mercado de mãos vazias. Dói ser só. E dói porque, por mais que se possa rir da cara de quem sofre por um babaca, não se tem sequer um babaca pra sofrer e demonstrar que sente algo.

Capitule. (via freaking)

(Source: capitule)

Sobre coisas impossíveis.

coracao-voraz:


Eu queria conseguir dizer tudo o que sinto por Deus em palavras ou canções, mas é das minhas incapacidades, a maior: quando mais falo, mais tenho a dizer.
Nem céu, nem mar: o amor que vem dEle define o que quer dizer infinito.
É como se fosse algo no peito que de tão preenchido que está quer…

Acha mesmo que um papinho sincero, um desabafo e afetividade, vai mudar alguma coisa? De alguma forma… curar-me? Não estou falando de um dia ruim aqui. As coisas que senti são inexprimíveis. Não há como esquecer. Não há como fazer melhorar. Porque está gravado em minha mente, para sempre. Você não entenderia. E não poderia nunca fazê-lo entender. Então desculpe-me.

Supernatural.   (via casebre)

(Source: s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r)

Sinto o meu coração indo, mas ainda não sei sentir. Num trote prolongado, com minhas pernas cansadas do meio círculo que persegue o retilíneo sonho de quem rescindiu o freio, aprecio o trajeto do açoite. Uma lamúria, uma desgraça, uma ruína. Não sou mais do que um balão de ossos no singular, sentindo o que não sabe sentir pelo resto do mundo. E sinto, ou pelo menos penso sentir, agregado ao que eu suponho ser um sofrimento de amor, o peso da falha entrecortando os meus caminhos. Eu falhei por nós dois, sem nunca ter conhecido plenamente a mim mesmo. Sem nunca ter descoberto o prazer de saber o que sinto. Invejo as árvores que sabem que são árvores, pois sofrido é um humano enraizado no meio da claridade, sofrendo no meio da existência. Invejo também os pássaros, porque a natureza não lhes permitiu o amor lascivo ao ninho abandonado pelo instinto de sobrevivência. Pássaro que sou, nômade que me permito ser, ainda não sei dizer adeus ao galho mais fraco. Ainda amo o que poderia ter me matado, o que me impediria de continuar. E dói. Permanecer vivo é um egoísmo com as renúncias mais sofridas da minha história. Numa hipótese macabra, numa hipótese acalentadora, talvez eu apenas pense que abandonei assim como só penso, iludidamente, que sinto saudade. Mas eu já não sei o que sinto. Eu já não sei o que eu sou. Eu sei sim, olhando para as pegadas de pele morta, o que fui, imaginando o peso da minha matéria bruta como um pintor imagina o som da arte. A dor estanca e o sangue coagula. A vida é que não se cura. Debaixo de toda essa terra infértil impregnada em mim, o cadáver não exala cheiro. Os cupins roeram a minha madeira de tal forma que o superficialismo adquiriu os trejeitos de um homem comum, um homem que ama, um homem que chora, um homem que sabe o que é, um homem que sabe o que sente. Mas a única verdade é que não sei. Já não sei mais sequer de qual dos meus inícios eu fingi que parti.

Cinzentos.  (via epigrafar)

Na delicadeza das palavras procurei escrever sua presença e descrever o quanto é fascinante pensar você. Entenda que minhas mãos livres, que agora se dedicam à escolha das palavras certas, gostariam de estar presas às suas para te prensar: te segurar: e não te deixar voar. E que meus lábios secos, que agora se dedicam ao deserto silêncio da imaginação, gostariam de molhar os seus e desaguar no seu mundo até você florescer e germinar e brotar no jardim da minha poesia, como as lírios peruanos: suas flores preferidas: que sobrevivem muito bem sozinhas, certo, mas vivem muito mais quando têm alguém para alegrar suas dores ou admirar a beleza de suas cores. Entenda também que quando não ouvi sua voz: escrevi o timbre doce e delicado do som das suas palavras. Quando não te vi: descrevi toda a grandeza e a escuridão que habitam na profundeza lírica dos seus olhos: grandes e quase negros. E quando não consegui te tocar ou alcançar a maciez da sua pele: improvisei literalmente a textura da sua derme: tão branca: tão macia: e pude tatuar palavras que eu não sabia que existiam: e pude tatear tua alma como quem acaricia estrelas no céu, sem saber que elas também brilham e se espalham no chão: sem saber que elas brilham e se espelham em você para iluminar o mundo: o meu mundo.

Eu me chamo Antônio.    (via cancao-da-alma)

(Source: convergido)

(Source: plasmatics-life)